Este blog é alimentado, desde novembro de 2003, por Maíra Viana. Fechando o ano de 2007, a escritora lança seu primeiro livro de contos, "O Teatro Mágico em Palavras"; E também estreia o seu segundo blog na web, intitulado "A Casa da Àrvore".


A Casa da Árvore

O Teatro Mágico em Palavras

O Teatro Mágico




Contato por e-mail:
Maíra Viana
Lojinha TM (venda do livro)




Referências:

*Na Prateleira: Hermann Hesse, Clarice Lispector, Florbela Espanca, Milan Kundera, José Saramago, Rubem Fonseca, Adriana Falcão, Patrícia Melo, Santiago Nazarian, Mário Prata, Ganymedes José, Caio Andrade, Adélia Prado, Álvares de Azevedo, etc.

*Na Vitrola: Francisco Buarque de Holanda, Oswaldo Montenegro, Fernando Anitelli, Belchior, Gonzaguinha, Geraldo Azevedo, Renato Braz, Los Hermanos, EngHaw, Frank Sinatra, Pink Floyd etc.

*No Cinema: Almodovar, J. P. Jeunet, Lars Von Trier, Alejandro Gonzalez Iñarritu, Paul Thomas Anderson, Tood Solondz, Abbas Kiarostami, Gus Van Sant, Patric Leconte, Eduardo Coutinho, Marcelo Masagão, Walter Salles, etc.


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Todos os textos: Maíra Viana

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Segunda-feira, Dezembro 10, 2007


Ando batendo asas!!
O sol parece que saiu de debaixo da cama!!!
Parou de se esconder!!!!
Parei também!!!




Tô de mudança: >>>> Casa da Árvore <<<<





Publicado por Maira Viana Barros em 5:16 AM

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Quinta-feira, Outubro 18, 2007


"....Envelheço na cidade..."



Me basta saber que ainda tenho as chaves de casa. Estou ficando velha. A morte é uma promessa que cada um de nós faz ao nascer. Me distraio enquanto correm os anos. O tempo é de lua comigo: ora cheio de gentilezas, ora cheio de patadas. Desde cedo aprendi que todo céu azul está sempre sujeito a pancadas de chuva. Eu falo. Falo mas ninguém parece entender. A assimilação da língua portuguesa muitas vezes me parece inviável. É, estou ficando velha. E quando os dias não são felizes, me basta saber que sempre posso voltar pra casa, afinal, ainda tenho as chaves.



Publicado por Maira Viana Barros em 4:40 AM

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Sexta-feira, Setembro 14, 2007


“.....A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não...”



Havia um plano, uma saída, uma breve intenção de fuga. Mas ainda estou aqui. Ocupando meu lugar no mundo. Desisti de desistir dos sonhos. O cansaço reinventou-se em ânimo. Das lembranças no varal, me apeguei às dos jogos infantis. E os sonhos parecem sair do coma. Eles até acenam enquanto durmo. Enquanto penso que durmo. É dificil enfrentar o mundo mas é mais dificil ainda enfrentar a si mesmo. Então quase desisti e cedi espaço à parte de mim que quer desistir. Mas ainda estou aqui. Ocupando meu lugar no mundo. A outra parte foi valente. Aquela que outrora entrou num avião e mudou o curso de uma vida. É, o cansaço reinventou-se em estímulo. Das lembranças no varal, me apeguei às das guerras que venci. E os sonhos parecem sair da UTI. Eles até sussurram enquanto esqueço. Enquanto penso que esqueço. Então havia um plano, uma saída, uma breve intenção de fuga. No entanto: planos mudam.




“.....Agora é brincar de viver...”






Publicado por Maira Viana Barros em 12:25 AM

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Segunda-feira, Agosto 06, 2007


“...numa moldura clara e simples sou aquilo que se vê...”



Cansada de existir.
Estou desocupando o meu lugar no mundo.
Por favor, o último que sair apague a luz.





Publicado por Maira Viana Barros em 12:34 PM

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Sexta-feira, Julho 13, 2007


“.....Ano 2000 era futuro há pouco tempo atrás...”



Música livre, Coca Zero, palm top, água de coco engarrafada: sorria você está sendo filmado. Acho que dormi nos primeiros 5 minutos de projeção da minha vida e só me acordaram agora. Trinta anos depois, tudo mudou tanto. Perdi a lógica lá atrás. Alguém viu se passou alguma placa com os dizeres “RETORNO”?




Publicado por Maira Viana Barros em 12:00 AM

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Terça-feira, Junho 19, 2007


"...nessa canoa furada, remando contra a maré...."


Pessoas me confundem, me cansam, me fazem desistir do mundo. Pessoas fazem barulho, imcomodam. Pessoas são obvias. Pessoas machucam, atropelam. Pessoas mudam de opinião. Pessoas desistem do que ja havia sido combinado antes. Pessoas amadurecem e passam a querer outras coisas. Pessoas me dão vontade de vomitar. Pessoas se parecem umas com as outras. Pessoas se parecem comigo. Ou sou eu que me pareço com elas? Não sei, só sei que pessoas me confundem, me cansam, me fazem desistir de mim...


Publicado por Maira Viana Barros em 8:59 AM

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Terça-feira, Maio 01, 2007


"...Porque sou a mistura de caos e jardim...."


Ao meu redor estão sempre as mesmas pessoas. Elas parecem precisar de mim. Estou sempre apagando luzes e fechando portas. Saio por último. Olho de novo só pra ter certeza de que não esquecemos nada. Ás vezes fica uma toalha, um par de sapatos, uma meia-calça perdida. Paciencia. Nada que vá fazer muita diferença. À noite, as estradas são todas iguais. Como é dificil dormir em movimento. Estamos lado a lado mas só consigo te afagar em sonhos. E repito: os espíritos estão vendo tudo. Estou sempre apagando luzes e fechando portas. Saio por último. Ao meu redor estão sempre as mesmas pessoas. Pareço precisar tanto delas. Paciência. Nada que vá fazer muita diferença.



Publicado por Maira Viana Barros em 1:58 AM

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Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007


"....Já não há mais muito tempo pra sonhar..."


Tem dias em que acordo me sentindo tão vazia que eu gostaria de nunca ter nascido. Meus sonhos estão na UTI. Tudo que eu amo desaparece. O tempo voa enquanto finjo me divertir mas a verdade é que eu nem sei porque estou aqui. Não sei se ja estive antes. Não sei por mais quanto tempo estarei. A minha casa anda tão suja e bagunçada: roupas pelo chão, pilha de louça pra lavar, pia do banheiro entupida, teias de aranha pelas paredes e muito pó - por todo lugar. O tempo voa enquanto tento lavar os pratos, varrer os pensamentos mórbidos, desentupir o coração e colocar o lixo pra fora. Meus sonhos estão na UTI e tudo o que eu amo desaparece. Tem dias em que acordo me sentindo tão vazia que eu gostaria mesmo de nunca ter nascido pro mundo.



Publicado por Maira Viana Barros em 11:46 PM

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Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007

"....Por onde entrei deve haver uma saída..."



Tenho preguiça do mundo lá fora. As evidências são cada vez maiores. Não há e nem nunca houve um só motivo para a existência. As pessoas do mundo parecem eternas dentro de suas certezas-de-sabão enquanto eu me pergunto o que estou fazendo aqui. Começo a me apegar a credos que diadesses nem faziam nenhum sentido. E penso o quanto estou ficando velha. Depressa demais. Diadesses era ontem, era fácil, era leve. Sair de casa não custava tanto, acordar não doía, respirar era parte do procedimento. Praxe era viver. Eu me distraía enquanto corriam as horas. E assim foi-se o tempo diadesses. Deixando-me assim: ranzinza, descrente e geniosa. E com muita....mas muita preguiça. De todo esse mundo lá fora.




Publicado por Maira Viana Barros em 12:01 AM

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Segunda-feira, Dezembro 25, 2006


"....Antes eu sonhava agora já não durmo...."



Me distraio enquanto correm as horas. Antigamente eu sonhava com um jardim, uma vida tranquila e um cachorro chamado Franscisco. Hoje, o natal passa por mim banhado em melancolia e noites mal dormidas. Excessivamente só. Eu e meu apartamento vazio, eu e todas as vozes que ouço, eu e toda a minha falta de fé. A solidão debocha das minhas cartas em branco, dos meus eclipses emocionais, da minha falta de talento para as coisas do mundo. Feia, excessivamente feia. Eu e as minhas circunstâncias, eu e o meu complexo de gata borralheira, eu e todas as minhas rugas de preocupação. O espelho sorri do meu embaraço, das idéias que tenho, da minha tristeza inventada. Ainda sonho com um jardim, um cachorro chamado Francisco e alguém que ouça o que tenho a dizer. Só por isso me distraio enquanto correm as horas.



Publicado por Maira Viana Barros em 9:09 PM

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Quarta-feira, Outubro 18, 2006


"...E eu que já não sou assim muito de ganhar....."


Estava aqui vendo meu "Álbum do Bebê". Aquele livro grande recheado de fotos do meu nascimento e mensagens de boas vindas deixadas pelos que foram até a maternidade levar um "charutão" pro meu pai e fazer toda a figuração da coisa. Pois é, folheando com calma percebi que todas as mensagens tinham em comum uma mesma frase: "Seja Feliz".

Na semana passada, eu estava olhando uns cartões antigos que guardo numa caixa velha e mofada. Coisas escritas com todo amor por bons namorados, fiéis amigos, tias e afins. E lá estava a mesma ladainha: "Seja Feliz".

Todo ano, recebo três ou quatro telefonemas dos que lembram do meu aniversário e lá se vão mais três ou quatro "Seja Feliz". É quase como uma tortura, a sentença está nas canções que ouço, no fim das cartas que recebo e nos outdoors das ruas por onde passo. E, até as camisetas que ganho de presente estampam em cores fortes "Be Happy".

Não há como escapar, lavagem cerebral, já nascemos com essa responsabilidade. E todos esperam isso de nós e assim seguimos adiante tentando cumprir a obrigação que nos foi delegada. E, quando nos damos conta, a vida já passou e nem deu tempo de fazer mais nada porque estávamos estressados tentando ser felizes.

O problema é quando percebemos que nunca seremos "o funcionário do mês", "o orador da turma", "o craque do time", "a mais bonita da festa". E alguém nos flagra chorando escondido, se aproxima e sussurra: "Não chore, você ainda vai ser muito feliz".




Publicado por Maira Viana Barros em 10:38 AM

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Terça-feira, Outubro 10, 2006


"...Quem sabe um filme antigo cairia muito bem...."


Decididamente estou ficando velha. O tempo passou e eu não plantei a tal árvore, nem tive filhos e muito menos escrevi o tão sonhado livro que ecoava em meus pensamentos desde a infância. A qualquer momento vou me deparar com o espelho e perceberei meus cabelos brancos, a vista já cansada e um tom ranzinza ao articular algumas palavras. Velha, velha, cada vez mais velha. A terceira idade tem me rondado e não cometi nenhuma grande obra que entre para a posteridade. Minhas rugas em breve começarão a despontar na face cansada e não terei a lembrança de ser amada num dia de chuva. E quando meus 60 anos chegarem, eu vou querer voltar aos 29, que tenho hoje, só para me dar um tapa na cara e bradar: "Acorda, porra, você ainda é jovem!! Pega teus borrões e publica, passa um batom nessa boca e vai atrás do pai dos filhos que você quer ter! E, por fim, planta logo essa droga dessa árvore que você cismou que tem que plantar".


Publicado por Maira Viana Barros em 9:21 AM

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Domingo, Agosto 27, 2006


"...Muita coisa vai fazer você mudar...."


Todos os dias eu acordo pensando em desistir. Calço os sapatos pensando em descalçar. Me distancio de casa em rotineira condição. Na janela do ônibus, pareço eterna diante do tráfego. O tempo se esconde de mim no movimento daqueles que passam pela mesma catraca, todos os dias. Fecho os olhos tentando enumerar as pessoas que estarão no meu velório. Me distraio enquanto correm as horas. Todos os dias eu atravesso as ruas pensando em tropeçar. Almoço pensando em vomitar. Da janela de casa pareço tonta diante da solidão. As palavras fogem de mim em blocos de nota no computador. Todos os dias eu acordo pensando em desistir. Ainda bem que você nunca deixa.

"...Mais vale tentar viver de esperança...."



Publicado por Maira Viana Barros em 12:05 PM

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Sexta-feira, Julho 21, 2006


"...Deixa os caminhos abertos à frente...."


A minha janela dá pra várias outras janelas. Pessoas em cotidianos movimentos. Nem reparo. E a vida passa entre quadros. Eu gosto de andar em círculos. Assim sei que não vou cair, nem quebrar, como louça, em uso, deixada num lugar qualquer. E fica fácil prever a vida, os contra-tempos, os acontecimentos. Porque sei do caminho que se repete por segurança. E a vida passa entre vidros. A minha janela dá pra várias outras janelas. E sem sair do lugar eu quase posso te ver. Chegar. Assim sem avisar, sem ao menos um prefacio, não é fácil. Só reparo. E sigo. Em linha reta. Porque não sei do caminho, não se repete, insegurança. E assim sei que vou cair, quebrar, como casca-de-ovo, fora do ninho, descoberta num instante qualquer.




Publicado por Maira Viana Barros em 12:45 AM

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Quinta-feira, Junho 22, 2006

"...As entradas do meu rosto e os meus cabelos brancos
aparecem a cada ano no final do mês de agosto..."


Hoje eu acordei sem entender porque. Acordei por acordar. Assim sem uma razão aparente. Eu só acordei, pronto. Foi o suficiente para perceber que eu não sei o porquê desse relógio ao lado da cama, desses papéis pra assinar, dessa louça pra lavar. Hoje eu chorei sem entender o porque. Chorei só por chorar. Assim sem um motivo plausível. Eu só chorei, ponto. Quando eu choro, o meu estomago chora junto comigo. Quando eu acordo, o meu medo abre os olhos e lamenta o dia seguinte. Só me resta ir ao banheiro e vomitar a solidão embrulhada aqui dentro. O espelho sorri do meu desespero e o telefone me lembra o quanto sou necessaria ao mundo lá fora. Ele toca como se dissesse: "se toca". Sim, as pessoas precisam de mim. Até às 18h00. Depois disso, meu mundo silencia e só me resta fazer uma prece para que meu sono chegue logo e dure o tempo da eternidade. Ou, pelo menos, que dure até às 8h00 da manhã do dia seguinte. É quando acordo sem entender o porque. Acordo assim só por acordar. Sem razão aparente ou motivo plausível. Só pra vomitar a solidão mais um pouco, em pausas, entre um alô e outro. Mas, calma: "é só até às 18 horas", penso comigo.



Publicado por Maira Viana Barros em 10:51 PM

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Quinta-feira, Maio 04, 2006


"...Castelo de areira desmorona..."



Tá muito barulho, tá frio aqui fora, eu quero voltar pra dentro da barriga da minha mae...ficar encolhida que nem caracol...e esquecer que existe esse mundo no qual pareço estar presa...os dias estão emendados uns nos outros...não há intervalo, reclames comerciais...é a mesma fita indo e vindo o tempo todo no gravador...pára, pode pausar...eu já vi tudo isso...não há nada de novo no front...pareço um ratinho andando naquela coisa redonda... dentro da gaiola...suando sem sair do lugar...sem ter a noção do todo...pausa, pode parar...eu ja vivi tudo isso ontem...então, faz favor, rebobina tudo e me põe de volta lá dentro, num dos quartos do útero, que eu não quero nem saber desse barulho todo que fazem as pessoas do mundo...



Publicado por Maira Viana Barros em 2:06 AM

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Terça-feira, Abril 25, 2006


¿...Anjos em queda livre e o céu abaixo do nível do mar...¿



Sempre acreditei piamente na minha falta de talento para as coisas do mundo. Sempre comentaram, sempre concordei. Riam, davam gargalhadas de mim. Do mau-jeito com a mão direita, dos erros nas contas de somar, das tentativas frustradas ao amarrar os sapatos. Então, eu me vestia de pena, mas não conseguia voar tal qual o patinho feio, em seu conto-de-fadas, crédulo na feiúra retórica que lhe impuseram. Demorou até se descobrir cisne, demorei a perceber a lógica dos cadarços, demoraram a entender aquele mau-jeito com a mão direita: meu modo cachoto de estar no mundo. Gostaria de perguntar ao patinho se ele vê o tal cisne quando se olha no espelho. Vou ali, qualquer dia eu volto. Quando der na minha telha, quando o tempo fechar, quando a maré encher, quando o céu desabar....aí sim...eu vou começar a acreditar que tenho algum talento para as coisas do mundo. Vão comentar e eu vou concordar, afinal, eu sempre concordei.




Publicado por Maira Viana Barros em 11:10 PM

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Segunda-feira, Abril 03, 2006


"...E na distância eu morro todo dia sem você saber...."



Tem um ruído antigo que me incomoda. Quando eu ouço os LPs do Roberto Carlos é quando estou triste, querendo o colo de seu ninguém, chorando os sorrisos que gostaria de ter dado durante o dia. Gosto de folhear o dicionário atrás das palavras que eu nunca vou dizer ao telefone, nem pessoalmente, porque nem sei o que elas significam. Eu, do alto da minha ignorância, faço das certezas as minhas bandeiras, depois duvido de todas elas e não consigo me olhar no espelho. Quando eu sento para escrever é quando estou triste, querendo a atenção de seu ninguém, cuspindo a saliva que engoli durante o dia. Gosto de mandar cartas dando conselhos a mim mesma, mas depois eu rasgo todas de ridículo. Eu, do alto da minha demência, nem sei porque ainda existo. E, além disso tudo, tem um ruído antigo que me incomoda quando estou triste. Uma estranheza sonora entre agulha e vinil quando eu ouço os LPs do Roberto Carlos.




Publicado por Maira Viana Barros em 7:48 PM

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Quarta-feira, Março 15, 2006


"..."Se você ouvisse as vozes que ouço à noite
acharia tudo que eu faço natural..."




Às vezes me pergunto porque ainda estou viva. Então, viro de lado, abraço o travesseiro e tento dormir novamente. Tropeço na barra da calça do pijama quando vou ao banheiro, sonolenta, me determino a fazer a bainha no dia seguinte, sem falta, com urgência. Decisão tomada, viro de lado, fecho as mãos entre as pernas e tento dormir novamente. Tenho medo de chegar até a cozinha, corredor sempre escuro, silêncio cheio de ruídos inexplicáveis, vontade de tomar leite. No caminho, a luz e o som da tv me distraem dos maus pensamentos enquanto dissolvo chocolate em adoçante. Post-it preso ao computador: comprar abajur amanhã, sem falta, com urgência. Cara de sono, viro de lado, me cubro e tento dormir novamente. A garganta sempre incomoda quando o ventilador aponta meu nariz por muito tempo. Tudo entupido, sorine, cadê? Pingo, viro de lado, respiro e tento dormir novamente. Um tic-tac interrompe o meu relógio biológico. Levanto, arranco as pilhas fora e acabo com a festa dos ponteiros. E é só às vezes que me pergunto porque ainda estou viva. Outras vezes, esqueço, viro de lado, passo a perna por cima da sua e até consigo dormir novamente.




Publicado por Maira Viana Barros em 9:19 AM

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Sábado, Fevereiro 25, 2006


"...Gosto de me ver chorar, finjo que estão me vendo, eu preciso me mostrar, da forma mais bonita..." (Chico Buarque)


Quantas vezes mais terei que retocar a maquiagem até você chegar? Ás vezes eu olho embaixo da cama, atrás do armário, dentro da geladeira, nas gavetas da sala, quem sabe eu te encontro, no lugar certo, só pra ser mais feliz, bem assim por acaso...

Quantas vezes mais as estrelas cadentes vão me virar a cara negando um pedido? Às vezes eu rezo, acendo uma vela, faço uma prece, jogo minha fé pela janela, depois me arrependo, vou lá, pego de volta, toda molhada, estendo no varal, vento que seca, tempo que passa, e você, nada...

Quantas vezes mais vou duvidar da sua existência? Será que estás o tempo todo aqui, como um fantasma, a me acompanhar, sem que eu perceba, na minha cegueira, tua presença invisível, espalhada pela sala, espírito zombeteiro, acenando pra mim, e eu, nada...

Quantas vezes mais você vai gritar mesmo sabendo que eu não posso te ouvir? Canta uma música, gesticula, faz mímica, tenta qualquer coisa, eu preciso te ver, não desiste de mim, fica um pouco mais, toma um gole de café, puxa uma cadeira, olha umas fotos, acende um cigarro...

Quantas vezes mais terei que me desfazer para te encontrar? Eu ando pela casa, troco os moveis de lugar, mudo a cor do cabelo, jogo as fotos pela janela, depois me arrependo, vou lá, pego todas de volta, estendo no varal, amareladas, tempo que mancha, vento que passa, e você, quase posso te ver, em cada uma delas: perto de mim fazendo careta, sorrindo atrás de uma árvore, correndo por entre nuvens num dia de sol....

Quantas vezes mais terei que lembrar a mim mesma onde foi que eu guardei a minha felicidade? Às vezes eu assobio enquanto penduro a fé no varal, me olho no espelho enquanto você se esconde do tempo num porta-retrato, cativo o prazer dessa incessante busca, fecho os olhos aos acenos e continuo procurando, nos lugares errados, só pra ser mais infeliz, bem assim por acaso...


**Inspirado no livro "O Homem de Dentro", de Caio Andrade.



Publicado por Maira Viana Barros em 2:43 AM

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Terça-feira, Fevereiro 07, 2006


"...O relógio queima a noite derretendo a escuridão..."



Então, eu sempre tiro as pilhas do relógio pra que ele possa chegar. O tic-tac incomoda e eu não quero incomodar. Os ponteiros dormem enquanto nos distraímos um com o outro. O telefone não toca mas também nem precisa tocar. O mundo não respira mas também nem precisa respirar. O tempo passa mas, poxa, nem precisava passar. Então, eu sempre tiro as chaves da porta pra que ele possa ficar. A solidão me incomoda e eu não quero incomodar. Os porteiros dormem enquanto nos lembramos um do outro. O rádio não toca mas também nem precisa mais tocar. A cidade não pára mas também nem precisa mais parar. A campainha não chama mas, poxa, bem poderia chamar. Então, eu sempre tiro as roupas do caminho pra que ele possa voltar. A saudade me incomoda e, não, eu não quero incomodar.


Publicado por Maira Viana Barros em 12:05 AM

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Sábado, Dezembro 31, 2005


"...Voltei, Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço..."



Sim, estou de licença, dá licença? Se me encontrarem por aí vão perceber meu estado: de alerta! Dentes à mostra, clara pele escura, destino remando à favor do vento!!! Voltar atrás pode significar dar um passo à frente! Por isso, voltei!! Voltei e tudo voltou junto comigo: os sabores, as ruas, os cheiros, os suores!! Recife faz parte da história! Faz parte da minha história e da história que quero começar a contar daqui pra frente!!! Sim, fiz as pazes!!! Estou de bem com o sol!!! Aprumei a vela, barco ao mar, avante, marinheira!!! A coragem me tomou pelo braço e já nem quero mais tentar prever a direção do vento!! Deixa soprar, deixa molhar!! Estou de licença sim!!! Licença-felicidade!!! Se me encontrarem por aí vão perceber meu estado: de graça!! Voltar atrás pode significar dar um passo à frente!! Por isso, voltei!! E você já faz parte da história!! Da minha história e da história que quero começar a contar daqui pra frente!!! Sim, aprumei a vela, mulher ao mar, avante, barqueira!!



Publicado por Maira Viana Barros em 7:36 PM

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Quarta-feira, Dezembro 07, 2005


"...Tudo é uma questão de manter a mente quieta,
a espinha ereta e o coração tranquilo..."


Estou presa aqui no ano de 2005...ele não acaba...assim como eu...acordo sempre no mesmo dia...com a mesma cara amassada, a mesma caneca de leite, os mesmos carros a buzinar na minha janela...no chão, os tacos da sala teimam em descolar sempre nos mesmos lugares...vou lá, com toda paciência: raspo, limpo, colo... prontinho ... amanhã é tudo de novo ...então, redijo contratos, atendo o telefone, recebo o motoboy...tudo com aquela vaga impressão de já ter feito isso ontem...o dia passa, a noite chega...a insônia me faz cafuné enquanto ando em círculos pela casa...o ano de 2005 está preso aqui dentro de mim...eu não me acabo...assim como ele...acorda sempre no mesmo dia...e me vê...com essa mesma cara de interrogação, essa mesma falta de apetite, esse mesmo semi-sorriso ... no peito, os tacos do coração teimam em descolar .... vou lá, com toda violência: raspo, limpo, colo .... prontinho ... amanhã é tudo de novo...



Publicado por Maira Viana Barros em 3:14 AM

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Domingo, Novembro 27, 2005


"...Vim correndo, tropeçando, vivendo um ano em um dia..."


Eu fico aqui falando sozinha, ando de um lado pro outro, paro, tento me concentrar em frente à tv...favas...nada me interessa... atiro o controle remoto dentro do aquário...nada me pára..a campainha não toca...as paredes me negam qualquer conselho .... e o telefone continua ali...em repouso absoluto...preguiçoso não chama...parece quebrado....vou lá...confiro....não está ... dá linha normalmente naquele mesmo tom de sempre....como se quisesse me insultar com aquele "tummmmmmm" ..... vou na cozinha, bebo agua, volto, apago a luz, acendo, boto um cd...checo os e-mails...spams, correntes, contratos... vírus .... favas....saio da frente da tela em protesto...e o espelho sorri da minha demência...tiro a roupa, visto o pijama.... e esse sono que não vem.... carneirinhos .... um, dois, três...trezentos e oitenta e sete, trezentos e oitenta e oito... não vem ... ele não vem .. ele quem? ... o sono? .... não ...aquele que faz com que eu perca o sono...espero, ouço....baixinho...são passos...a porta....mas a porta já está aberta...desde a semana passada....então sossega, ele já vem...respiro, arrumo o cabelo....chegou...."boa noite, foi daqui que pediram uma pizza?!"....favas...engano...eu não pedi nada...aliás, pedi...tonta, esqueci da fome, da febre, da sede... preciso preencher meu tempo para não pensar: colocar o lixo pra fora, encher as garrafas de água, arrumar os livros na estante em ordem alfabética .... já sei .... vou trocar os móveis da casa de lugar...isso...estou me distraindo....a idéia é essa...mas, ei, que voz é essa?!....não sei, agora não posso, tô empurrando a mesa de jantar até a janela à esquerda...pausa...voz masculina?!...ai meu deus, é ele....e a casa está uma bagunça....tenho ao menos que tirar o sofá da frente da porta da cozinha ... colo o meu olho no olho mágico ... um buquê...sim, são flores...e eu aqui toda descabelada tentando recolocar os quadros de volta na parede ... corre, veste algo mais sexy....batom, cabelos escovados, perfume...abre a porta, sai, tranca a porta ... fala pra ele ... "oi, meu amor, que lindas flores, vamos jantar fora hoje?!".... já puxando-o pelo braço em direção ao elevador ... ufaaaa ... essa foi por pouco ... que aperto heim... mas ainda bem que ele veio...que trouxe presente...que disse aquelas coisas que só ele sabe dizer .. poxa, é tão fácil agradar uma mulher...você fala meia dúzia de coisa romântica, joga uma flor no colo dela e pimbaaaa ... ela vai te amar pra sempre .... simples assim...porque será que os homens não fazem isso todos os dias?! ..... favas....



Publicado por Maira Viana Barros em 12:11 PM

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Domingo, Novembro 06, 2005



"...Leva meu atalho e minha sorte no movimento da rua..."


...e ele chegou assim sem um porquê, sem um buquê....trazendo somente certezas na bagagem...e aconteceu...como na fábula...ela dormia há anos....encantada dentro de sua própria casca...e assim se protegia dela mesma, das outras pessoas e do mundo lá fora...e era fácil ficar ali vivendo dentro de seu próprio sonho...onde somente ela controlava os acontecimentos, as falas, os movimentos...mas ele chegou assim.....trazendo cheiros na bagagem......inundando a casa dela de perfumes....dos temperos nas panelas...do suor das pernas entre os lençóis....era ela...a bela adormecida.....finalmente amanhecia...entre os cheiros de azeite e sexo...deixando de ser fada pra ser mulher...deixando as páginas dos livros pra entrar pra vida real...e como era bom não saber dos movimentos, das falas, dos acontecimentos....como era bom não prever o beijo, o final feliz...apenas viver... sem pensar, sem calcular, sem planejar...e ver chegar alguém assim sem porquê e sem buquê...e deixar entrar...
pela porta da frente...



Publicado por Maira Viana Barros em 4:37 AM

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Sexta-feira, Outubro 14, 2005


"...Os dias passam lentamente pra quem pensa nos dias..."


A cabeça está cheia de hipóteses. São previsões, jogos de possibilidades. Cada olhar tem um porquê, cada abraço tem um sentido, cada frase tem uma lógica. É! Mania de explicação!! Víciozinho chato esse heim, menina?! Pensar, pensar, pensar!! Pára com isso!! Pára de se analisar, pára de me analisar, pára pra viver!!! Não sai de casa porque fica aí, que nem boba, adivinhando chuva!! E o pior é que você sempre erra!! É incrível isso! Essa sua capacidade de esvaziar a piscina só pra não ter que aprender a nadar!!! Existem tantas outras maneiras de se afogar!! Pára de tentar prever o que pode nem acontecer!! Você interfere demais no seu próprio destino!! O tempo do esconde-esconde já passou, sabia?!? Agora é "salve todos"!!!!! Chega, menina, deixa vir a mulher!!! E se chover, deixa molhar!!!



Publicado por Maira Viana Barros em 2:32 AM

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Quinta-feira, Setembro 29, 2005


"...O que seria de nós se não fosse a
doce ilusão de conseguir?!..."


Ela caminhava em direção ao nada...os carros desviavam daquele corpo aparentemente sem rumo...realmente não entendia o porque de tanto cuidado e zelo para com a sua pessoa...buzinas, gritos, atenções... o mundo parecia lhe notar ... que pena ...esperou tanto por esse dia...mas agora já não importava...ela já havia desistido de acontecer...o mundo já não fazia parte de seus planos...nem aquelas pessoas a buzinar...ou mesmo a alternância de cores dos sinais de trânsito...tudo aquilo lhe era tão familiar e, por vias opostas, tão desinteressante ...o verde dos olhos buscava verde do semáforo ... impossível desviar....fácil prever....ela, enfim, acontecia...


Publicado por Maira Viana Barros em 12:50 PM

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Sábado, Junho 18, 2005

"...O dia-a-dia esvazia a fantasia..."


Eu preciso de um futuro. Alguém sabe onde eu poderia encontrar algo assim? Daqui da minha janela eu só vejo asfalto! Futuro que é bom: nada! Eu preciso da noite. Alguém sabe onde eu poderia encontrar algo assim? Daqui da minha janela eu só vejo trânsito. Noite que é bom: nada! Eu preciso de doce. Alguém sabe onde eu poderia encontrar algo assim? Daqui da minha janela eu só vejo fumaça. Doce que é bom: nada! Eu preciso de doces noites. Sabores derretendo o tráfego, asfalto aquarelado, janela sugerindo futuro em quadros, deixando o que preciso no passado.




Publicado por Maira Viana Barros em 9:57 AM

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Domingo, Abril 24, 2005



"Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro dentro do meu coração"
(Chico Buarque)




1 - Sujeitinho atrevido. Nasce assim sem pedir licença. Anda pelas ruas sem dar maiores explicações. Respira por aí impunemente. Quem ele pensa que é pra passar a existir assim sem mais nem menos? Não permito. Nem adianta chegar assim trazendo o sol pelo braço, com esse sorriso pendurado no rosto, violando cavalete e fita amarela em sopros. 2 - Não, não permito que me invada assim feito brisa, com tanta leveza, eu que tenho o peso de tantas culpas, nunca conseguirei flutuar para acompanhá-lo, não vê? Sou noite sem lua, feita de matéria densa e escura, não posso conviver com tanta claridade. Por que insiste tanto em me amanhecer? Em mim nunca houve aurora, escutou? Não, claro que não, banhado em música, como haveria de perceber o silêncio em que me afogo. Por que insiste tanto em me resgatar? 3 - Por que chega de mansinho e me põe a bailar quando tudo o que eu queria era findar? E esses pés, que fazem eles, que não me respeitam mais e o acompanham como se tivessem, para sempre, sido seus? Os olhos fecham-se, agora, e a ousadia da sua imagem escorrega, languidamente, banhando-me de uma calmaria que abala o meu descompasso. Como se atrevem, você e essas partes todas de mim? 4 - Amor atrevido! Nasce assim, sem pedir licença! Corre pelas minhas artérias e veias, marcando território por todo o meu corpo. Nada mais me pertence. Meus sonhos, meus medos, as coisas que sou e não sei, as coisas que quero e não fui. Tudo agora parece mais leve, mais colorido, mais surreal. Como posso impedir o inevitável se já não sou o que era momentos atrás? Se agora, o que mais quero é deixar que o sol me carregue pelo braço, flutuando numa dança sensual, que me embota os sentidos e penetra as minhas entranhas, até que um novo dia aconteça.


Créditos:
1 - Maíra Viana - Vergonha dos Pés
2 - Maya - Véu de Maya
3 - Decca - Rabiscando
4 - Fá Viana - Perfil



Publicado por Maira Viana Barros em 12:20 PM

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Domingo, Abril 10, 2005




"...Ilha não é só um pedaço de terra
cercado de água por tudo quanto é lado..."



E com um giz branco nas mãos, agachada, riscou o chão em linha reta. Manteve o punho firme por horas tracejando aquela mesma linha e só parou quando restava apenas um toco de giz em seus dedos exaustos.

Feito isso, caminhou até a ponta do mundo e, de auto-falante em punho, bradou: "Ei, vocês! Estão vendo essa linha no chão?? Vocês podem vir até aqui. Mas estão proibidos de atravessá-la e ir além".


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"...Tudo na gente que não morreu,
cercado por tudo o que mataram, é uma ilha..."
(Oswaldo Montenegro)




Publicado por Maira Viana Barros em 6:15 PM

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