Maíra Viana, 29 anos, brasileira, libriana; "a menina das palavras", segundo o poeta.
*Na
Prateleira: Hermann Hesse, Clarice Lispector, Florbela Espanca, Milan Kundera, José Saramago, Rubem
Fonseca, Adriana Falcão, Patrícia Melo, Santiago Nazarian, Mário Prata, Marcelo R. Paiva, Caio Fernando Abreu, Baudelaire, Fernando Pessoa, Adélia Prado, Machado de Assis, Ganymedes José, Arlindo Machado, Álvares de Azevedo e
muito mais...
*Na
Vitrola: Oswaldo Montenegro, Fernando Anitelli e o Teatro Mágico, Chico Buarque, Belchior, Gonzaguinha, Secos e Molhados, Cordel do Fogo Encantado, Cabruera, Parafusa, Xangai, Antúlio Madureira, Antônio Nóbrega, Chico Science, Zeca Baleiro, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Ave Sangria, Elomar, Vital Farias, Nô Stopa, Vitor Ramil, Caminhos de Si, Trio Esperança, Bjork, Frank Sinatra, Pink Floyd, Los Hermanos, EngHaw, Ludov, etc.
*No
Cinema: Almodovar, J. P. Jeunet, Lars Von Trier, Alejandro Gonzalez Iñarritu, Paul Thomas
Anderson, Tood Solondz, Woody Allen, Abbas Kiarostami, Gus Van Sant, Patric Leconte,
Mário Peixoto, Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Jorge Furtado, Eduardo Coutinho, Marcelo Masagão,
Claudio Assis, Walter Salles e
mais...
*Na
TV: Guel Arraes, Jorge Furtado, João Falcão, Claúdio Torres, Adriana Falcão, Hans Donner, Marcelo Tas, Abujamra, Fernanda Torres, Dias Gomes, Manoel Carlos, Gilberto Braga, Ivani Ribeiro, Janete
Clair, Regina Casé e mais...
¿...Anjos em queda livre e o céu abaixo do nível do mar...¿
Sempre acreditei piamente na minha falta de talento para as coisas do mundo. Sempre comentaram, sempre concordei. Riam, davam gargalhadas de mim. Do mau-jeito com a mão direita, dos erros nas contas de somar, das tentativas frustradas ao amarrar os sapatos. Então, eu me vestia de pena, mas não conseguia voar tal qual o patinho feio, em seu conto-de-fadas, crédulo na feiúra retórica que lhe impuseram. Demorou até se descobrir cisne, demorei a perceber a lógica dos cadarços, demoraram a entender aquele mau-jeito com a mão direita: meu modo cachoto de estar no mundo. Gostaria de perguntar ao patinho se ele vê o tal cisne quando se olha no espelho. Vou ali, qualquer dia eu volto. Quando der na minha telha, quando o tempo fechar, quando a maré encher, quando o céu desabar....aí sim...eu vou começar a acreditar que tenho algum talento para as coisas do mundo. Vão comentar e eu vou concordar, afinal, eu sempre concordei.
"...E na distância eu morro todo dia sem você saber...."
Tem um ruído antigo que me incomoda. Quando eu ouço os LPs do Roberto Carlos é quando estou triste, querendo o colo de seu ninguém, chorando os sorrisos que gostaria de ter dado durante o dia. Gosto de folhear o dicionário atrás das palavras que eu nunca vou dizer ao telefone, nem pessoalmente, porque nem sei o que elas significam. Eu, do alto da minha ignorância, faço das certezas as minhas bandeiras, depois duvido de todas elas e não consigo me olhar no espelho. Quando eu sento para escrever é quando estou triste, querendo a atenção de seu ninguém, cuspindo a saliva que engoli durante o dia. Gosto de mandar cartas dando conselhos a mim mesma, mas depois eu rasgo todas de ridículo. Eu, do alto da minha demência, nem sei porque ainda existo. E, além disso tudo, tem um ruído antigo que me incomoda quando estou triste. Uma estranheza sonora entre agulha e vinil quando eu ouço os LPs do Roberto Carlos.